Sou um contador de histórias e há quem goste de ouví-las!!
Mas sem pretensões científicas ou filosóficas, apenas dando uma boa viajada na maionese, pois é assim que nasce um bom papo...
Sem a intenção de reunir uma multidão, afinal, isso aqui é privilégio de poucos...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015


    Antes, na época da inocência, achava que “felicidade” ou “aproveitar a vida” estava diretamente relacionado com um lugar ou coisa.
   Como bom paulistano, minha resposta ansiosa era “praia” !! Sem praia não se aproveita a vida!
   Indo então morar de frente pro mar por anos, numa das melhores praias do mundo, percebi que o conceito estava errado. A felicidade ainda escapava.
   Passei então a acreditar que precisava estar com pessoas que me ajudassem a formar um “ambiente” favorável!
   Desta forma, independente do lugar em que estiver, poderei experimentar a “felicidade” “aproveitando a “vida” !!
   Mas aí, algumas pessoas passaram a não contribuir para o “ambiente” ...
   Elas se tornaram egoístas, mentirosas e grosseiras, estragando tudo e assim minha “felicidade” ia por água abaixo.
   Então, como numa última cartada, já sem tanta esperança, trouxe toda manutenção desta “felicidade” pra dentro de mim!
   Esteja onde estiver, e com pessoas de todos os jeitos, gostarei de estar ali! E este meu “ali” será parte integrante da minha alegria interna que saberá traduzir positivamente o que estiver ao meu redor como parte boa da vida! Sombras ou luzes, frio ou calor, vale ou montanha, riso ou choro, tudo tem seu lugar na composição deste meu “aproveitar a vida”!
  
   Desta forma, estarão dois na mesma casa, comendo a mesma comida, fazendo as mesmas coisas, convivendo com as mesmas pessoas, sofrendo as mesmas dores e um deles poderá estar gozando do maior estágio de felicidade possível a um ser humano enquanto o outro talvez esteja queimando no fogo de algum inferno existencial!
   Uns dependem de lugares e coisas para se realizar, outros colocam nas mãos alheias a responsabilidade da manutenção da paz, mas eu me aprimorarei na filtragem dos eventos exteriores de maneira que, ao entrarem em mim, sejam recebidos com gratidão como “A minha porção na face desta terra”!

   

sábado, 27 de outubro de 2012

De carona


   Creio que nossos altos e baixos são gerenciáveis... assumo que muitas vezes são insuportáveis...
   Momentos de sofrimento, impostos pelos rigores da escassez, ou pela dor de uma perda. Mas acho que mais terríveis são as dores que aparecem na bonança, na fartura. Quantas vezes tudo está bem, conforto, lazer, abastança total! Mas interiormente se sente  um fio de frustração que teima em apagar nossos sorrisos e  brotam aparentando até ingratidão... Mas não! Reconheço que tudo o que tenho me faz bem. Sou consciente do valor destas coisas que foram conquistadas com muito esforço mas, continuo sem conseguir extrair toda felicidade que elas me prometeram.
   Em momentos assim, preciso caronar em outras viagens... as crianças nos ajudam muito nisso! Viver perto delas nos permite embarcar na felicidade de suas realizações! A alegria de uma criança correndo na praia leva junto consigo até transeuntes moribundos a espreitar... aqueles olhos cintilantes nos enchem da certeza de que a vida vale a pena e nos trás a fantasia de que estamos vivendo também, aquele momento!
   Tem gente tão carente que embarca até nas realizações dos cachorrinhos de estimação... Gente que se realiza através das lentes irracionais de pequenos companheiros de quatro patas, parceiros da felicidade que eles alardeiam possuir...

   A vida só faz sentido se autenticada por meio de outras vidas! Realizações só são respaldadas nos reflexos alheios...

   O mestre disse que "Melhor é dar do que receber"!

    Acho que hoje entendo bem melhor tudo isso!!

 

 

terça-feira, 27 de setembro de 2011

MEIO AMBIENTE



Na fila do supermercado, o caixa diz uma senhora idosa:
- A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis ao meio ambiente.
A senhora pediu desculpas e disse:
- Não havia essa onda verde no meu tempo.
O empregado respondeu:
- Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com nosso meio ambiente.
- Você está certo - responde a velha senhora - nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.
Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempoSubíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.
Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambienteAté então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.
Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?
Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar.Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.
Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lámina ficou sem corte.
Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só  uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.
Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Em setembro faço 42...




   Hoje acordei, olhei ao meu redor e disse: “Em setembro faço 42!”.
   Neste ponto da vida, preciso resolver se festejo por já ter vivido tanto, ou por saber que talvez tenha mais 42 pela frente... Sim! Feliz aquele que completa 84!
   Se existe a possibilidade de viver ainda tanto assim, por que é que as pessoas entram em crise nesta época da vida? Não sei. Acho que hoje me conheço melhor e quando olho no espelho, sei qual é a desse cara.
   Quero continuar fazendo minha vida valer a pena, todo dia. Não posso me descuidar em, mesmo sem estar fazendo nada, fazer com que cada dia tenha sido vivido plenamente!
   Como fazer a vida valer à pena?
   Devo começar caprichando nos relacionamentos com os que estão perto de mim! Sim! Amar as pessoas que me rodeiam com a maior intensidade possível! Celebrar as amizades, pactuar os encontros, selar os afetos... Não posso esquecer o perdão aos que me machucam, pois sem querer isso acontece, tanto de lá prá cá, como daqui prá lá.
   Estarei atento, pois em setembro faço 42...

  Acho também que preciso fazer um check-up nos meus hábitos...
  Se tive a oportunidade de chegar até aqui, preciso me responsabilizar um pouco mais pelo restante do percurso. Tratarei com mais carinho deste corpo que já não tem mais 21... Mais água e algum exercício... Ficamos assim então! Pois em setembro faço 42...

  Finalmente, espero não me poupar das gargalhadas. Elas sim nos fazem bem!  Rir com os amigos, rir com Deus, rir bem acompanhado!
  Rir com gente como o Sílvio Sá, que caminhou até aqui comigo, mas como soube ontem, não chegou aos 42...

   No mais,
             Não tenho certeza,
                           Pois em setembro faço apenas 42...

segunda-feira, 14 de março de 2011

Um pedido do meu filho, ao completar 17 anos.

   Há alguns anos atrás tudo era diferente. Pedidos e vontades, situações e realidades.
   Sei através de relatos e por algumas lembranças, que eu e minha família tinhamos outro modo de ver a vida, por conta do momento que vivíamos.
   Os meses eram grandes férias, os dias grandes aventuras, o tempo era apenas passageiro. Me lembro bem e com muita saudade dos eternos momentos de aventura que meus pais Marcelo e Evany proporcionaram a mim e minha irmã Marília. Dias de acampamento no quintal, dias de pizza no capô do carro à beira-mar, zig-zag na estrada, músicas inventadas, esconde-esconde no supermercado, tudo era só diversão. Nada de preocupação.
   Os pedidos eram: Patinetes, bicicletas, bolas, espadas de plástico, arminhas de espoleta e sandálias do Mickey.
   As vontades eram um dia sermos adultos e termos um bom emprego...
   Me lembro bem de todas estas coisas. Me lembro de dias em que depois do culto de domingo meu pai dizia:
   - Tinhá ( é como ela chama minha mãe ), vamos viajar?
   E eu e minha irmã ficávamos loucos no banco de tráz do carro, dizendo: Vamos mãe! Aceita! Aceita!
   Lembro também de dias em que, momentos antes de irmos pra escola, íamos pra cama deles e eles falavam pra não irmos pra aula, para que ficássemos juntos ali. Recordo-me em como todos torciamos pra acabar a luz, para que pudéssemos ficar em volta de uma vela contando histórias...
   Tudo era festa.

   Mesmo em tempos de dificuldades a ponto de não haver leite ou comida em casa e eu feliz por que ia tomar Kisuco!
   Tempos quando moramos numa Casa de Recuperação para Drogados e eu ia com meu pai ao Ceasa pra pegar legumes nos cestos de lixo, e achava muito legal... Como disse antes, tudo era aventura...

   Bem, mas o tempo foi passando e eu fui ganhando conhecimento junto com liberdade, e consequentemente: responsabilidade, maturidade e "curiosidades".

   A vida passou a ter um "peso".

   Começaram os horários, as regras, os compromissos e vontades diferentes. A realidade mudou.

   Mas em todas estas etapas vocês, minha família, sempre me ensinaram o amor em primeiro lugar. Me ensinaram a honrar os compromissos e ter educação; me ensinaram a transformar as "maldições" em "bençãos" e a não reclamar. Me ensinaram a respeitar os outros e, o mais importante, me ensinaram a andar nos Caminhos do Senhor Jesus!
   Ensinaram-me a ter um amor incondicional por Ele, me mostraram e provaram com fatos que em todas as áreas de minha vida Deus está presente.
   Vocês, pai e mãe, me ensinaram a estar sempre alerta e ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião, e que minha honra vale mais que minha própria vida. Me ensinaram a ter paixão pelo trabalho voluntário e por missões.
   Lembro-me que quando mais novo, ao me perguntarem se eu iria ser um pastor eu respondia: Deus me livre! Mas hoje o trabalho de vocês e o amor pela vida em primeiro lugar me contagiou.
   Hoje tenho prazer em falar, ensinar e pregar o amor de Cristo!

   Neste aniversário de 17 anos quero que vocês saibam: Marcelo, Evany e Marília; aquilo que sou hoje devo a vocês!

   E agora, homem quase formado, faço o "Pedido":

 - Continuem cuidando de mim e me amando. Conduzindo-me nos Caminhos do Senhor, pois como o vocês sempre dizem: Só nEle tenho Palavra de Vida Eterna!

  Amo vocês!

Assinado: Matheus.
  
 

domingo, 16 de janeiro de 2011

Uma Lágrima pela vida


   Lágrimas são inexplicáveis...
   Rolam dos nossos olhos muitas vezes inesperadas, outras desejadas.
   Algumas por tristezas; outras por alegrias.
   Vezes por desespero; outras pela dor.
  
   Lágrimas são misteriosas...
   Todos podem saber seu motivo ou nem quem a faz rolar a compreenda...ela desce.
  
   Porque será que gotas salgadas escorrem dos olhos de quem sente?
   Qual o motivo fisiológico da precipitação lacrimal como reação?

   As lágrimas primeiro embaçam nossa visão. Turvam nossos olhos...
   Será que consigo trocar o foco? Ela me impulsiona a isso.
   - Veja de uma outra forma! Ela diz.
   Experimente fechar os olhos pra enxergar com a visão do coração!

   Lágrimas molham o rosto.
   Elas nos delatam a quem quiser ver que precisamos de ajuda.
   Minha mente tenta ocultar, mas meu rosto se encharca de pedidos de consolo, ajuda e participação.
   - Olhem pra mim! Ela diz.
   - Onde estão meus amigos?

   Elas salgam a boca.
   Provocam mudança no gosto.
   Nos mostram que tudo o que se sente da sentido as coisas, autentica a existência,
 
    As lágrimas nos provam que os sentimentos são o tempero da vida!!

  

  

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A proteção

   Sabe, quando os filhos crescem...ah se eu pudesse explicar.
   
   Meus filhos hoje são adolescentes que se maravilham e sofrem ao mesmo tempo as dores da maturidade que se aproxima. Crescer só dói mais que neles, quando dói em nós: pai e mãe que assistem as tentativas toscas de vôos iniciais, cheias de possibilidades desastrosas.
   Já a algum tempo venho sentindo espasmos de saudades do tempo em que os pegava cada um numa perna, aninhados em meu colo no sofá, e os protegia dos perigos do mundo; tempo em que diante de ameaças iminentes bastava tirá-los do mundo dando-lhes um bom banho no final da tarde, seguido de uma boa bananada de liquidificador servida com biscoitos. No aconchego do nosso cantinho feliz; que mesmo sendo muito humilde apresentava-se bem como o "melhor lugar da vida".
   Desde que comecei a sentir essas coisas que venho tentando resgatá-las: um passeio no shopping em família ou uma praia no fim de tarde...não consegui. Quem ia comigo, embora fossem eles meus filhos, já são outras pessoas. Ações e posturas que delimitam claramente a distância que estamos daquilo que sinto falta...
  
    Mas, do que é mesmo que sinto falta? 
   Sinto falta do tempo em que conseguia protegê-los de sofrer. Sofrer com amores desiludidos, amizades traídas, da dor produzida pelos rigores da vida que, querendo ou não, já os embala mais que meus braços.
   Saudades do tempo em que aninhava o Matheus em meu colo e fazia: "Tsi, tsi, tsi...tsi, tsi, tsi" dando levas tapinhas em seu bum-bum e facilmente o acalmava e fazia adormecer; tempo em que a Marília corria desesperada com qualquer coisa que logo perdia o poder de amedrontar, pois rapidamente agarrada a mim, do mundo podia até desdenhar...
   
Sei que protegê-los disso tudo seria tirar-lhes a vida, pois foi pra vencer isso tudo que eles vieram a vida. Mas como equacionar meu instinto com essa lógica brutal?

   Um dia desses cheguei bem perto de suprir minha falta: Eles trouxeram os colchões e dormiram em nosso quarto. Acordei de noite e os vi ali, seguros à nossa volta, ainda nossos filhotinhos tão carentes de nossos cuidados..

   Ah, meus filhos, como os amo...

   Ah, minha vida, ensina-me a falar-lhes numa linguagem que me compreendam...

   Ah, meu Deus querido, me pega em seu colo e me ensina, pois como eles, ainda não sei viver!!